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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Paella Texsan!


A paella nunca esteve em minhas prioridades de execução, embora seja um prato que eu adoro! Tradição deve ser respeitada, portanto a feijoada, o tropeiro, a moqueca e afins, ao olhar de um amador como eu, devem ser simplesmente saboreadas, deixando que mãos hábeis de cozinheiros tarimbados nos presenteie com um festival de sabores que materializam a história de povos e lugares. Receitas tão consolidadas não cabem nenhum tipo de interferência, mas a coragem de meu compadre me fez mudar de ideia. Fui conhecer sua casa nova e colocar a prosa em dia...o fim de semana, como esperávamos, estava perfeito! Depois do cordeiro e dos red's - label e bull -  de sábado tive que acordar às 6h com o Gui, já com a energia fritando! Minha sorte foi que seu "vô" Wartinho chegou para acalmar a criança. Voltei a dormir e acordei ao meio dia com meu compadre eufórico pq tinha ficado com a última leva de camarão fresco do peixeiro que ele encontrou na feira. Resultado: vamos fazer uma paella? Bora lá...seguimos, inicialmente, a revista Verdemar como referência, mas ao longo do processo fomos "ateixeirando" a receita e fizemos uma Paella Texsan - homenagem ao nosso compadre Erikids, que por estar fazendo a melhor cerveja artesanal do Brasil, não pôde estar presente.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Kobe Beef




O primeiro contato que tive com o Kobe Beef não foi dos melhores. Tinha ouvido falar da iguaria e fiquei bastante curioso. Um boi - raça Wagyu -  tratado a saquê, massagens e música clássica desperta a atenção de qualquer um...mas enfim...comi um tornedor no D'Artagnan e foi bem decepcionante. Talvez minha expectativa fosse muito grande, além do beef não ser um "autêntico" kobe, pois tratava-se de um cruzamento de wagyu com brangus. Tinha "desencanado" da carne quando li em uma publicação de culinária (não me lembro bem qual) que a Intermezzo Gourmet - boutique paulista especializada em carnes nobres , do mesmo proprietário do Varanda Grill - Sylvio Lazzarini - estava trazendo ao Brasil cortes provenientes de wagyu 100% puro e com um grau de marmonização (gordura entremeada que garante mais muito à carne) nunca visto no Brasil e difícil de encontrar inclusive no Japão! Numa escala de 1 a 12 - reconhecida internacionalmente - a carne da Intermezzo veio com grau 11. Não resisti e comprei pelo próprio site da empresa (www.intermezzogourmet.com.br). É caro e eu esperei ansiosamente - e entrega foi rápida e a qualidade e cuidados com o transporte impecáveis. Garanto que valeu cada centavo "investido" nesta maravilha. É muito diferente de qualquer carne que já tinha comido antes - textura, sabor e maciez inigualáveis! Absolutamente recomendável! Fiz temperado com sal Maldon, pimenta do reino e grelhado na panela de ferro. Como coadjuvante, para não haver nenhuma interferência, fiz somente uma saladinha de folhas verdes e chips de batatas asterix - que tem menos água e fica mais sequinha!

domingo, 26 de julho de 2009

Carré de Vitelo


Almoço de domingo! Saiu totalmente na pressão - mise en place, pilha máxima do Gui que não parou um segundo, preparo do prato, mais revezamento com a Patrícia para dar conta da energia do Guilherme,  enfim saiu...Quanto ao prato em si, eu gostei do resultado. Carré de vitelo - comprada no Verdemar (falarei da minha Disneylândia particular mais à frente!) - temperada com sal moído, pimenta do reino, alecrim e grelhada com um fio de azeite. O leito de cogumelos fiz com champignon Paris, shimeji, cebola, vinho tinto, shoyu e caldo de carne. Acompanha também mostarda refogada.

Jun Sakamoto



Duas receitas do "virtuose do sushi" Jun Sakamoto. Recebi o livro dele - dica do PH (Paulo Henrique), proprietário do excelente Sakê (www.sakerestaurante.com.br), em Vitória/ES - e fiquei fascinado com a história e obviamente com as receitas deste sensacional sushiman, que inclusive se nega a ser tratado como chef. Pura modéstia, ele é sim um grande sushiman, mas também um chef criativo e genuíno. Fiz um tartar de atum com foie gras e ovas de salmão e um harumaki de vieiras com molho de vinho tinto e ostras. Quem quiser as receitas é só pedir nos comentários.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ostra Empanada com Tapioca Marinada


Esta receita é do Alex Atala e me sinto muito orgulhoso por fazê-la. Ela consta do menu degustação do seu conceituado D.O.M. e corrobora o fato deste restaurante constar entre os 20 melhores do mundo, segundo a Restaurant Magazine, publicação inglesa mundialmente mais respeitada do gênero. Alex Atala também a serviu a Ferran Adrià em sua última visita ao Brasil. O prato é sinônimo de harmonia e criatividade. Primeiramente a ostra empanada com farinha de brioche faz toda a diferença, segundo o sagu de tapioca - estas bolinhas mágicas adquirem o sabor e a cor da marinada a que são submetidas, neste caso suco de limão e a água da ostra. Um festival de sabores e texturas que beiram a perfeição! Segue a receita:
INGREDIENTES (4 porções)

Ostra e tapioca
50 g de sagu (tapioca)
40 ml de suco de limão
4 ostras
2 ovos
5 g de açúcar
100 g de farinha de brioche (passe um brioche pela peneira, sem a casca, até virar farinha)
4 gotas de tabasco
1 fio de óleo de oliva
Ovas de salmão a gosto (finalização)
Ciboulette picada a gosto (finalização)
Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Emulsão de shoyu
50 ml de shoyu
400 ml de óleo de oliva

PREPARO

Ostra e tapioca

Cozinhe as bolinhas de sagu em 1 litro de água fervente até que fiquem macias. Deve-se preservar o ponto branco no interior das bolinhas, cuidando para que elas não fiquem totalmente transparentes.
Retire o sagu do fogo, coe e dê um choque térmico com água gelada. Coe novamente, misture com o suco de limão e reserve.
Abra as ostras com cuidado para preservar toda a água. Junte essa água ao sagu, acerte o sal e reserve.
Misture os ovos, o açúcar e a pimenta-do-reino. Passe as ostras nessa mistura e em seguida na farinha de brioche.
Numa frigideira com um fio de óleo de oliva, frite as ostras em fogo médio, até dourarem. Coloque-as sobre um papel absorvente para tirar o excesso de gordura. Pingue uma gota de tabasco sobre cada ostra.

Emulsão de shoyu
Misture o shoyu e o óleo de oliva até emulsionar.

Montagem
Despeje a emulsão de shoyu no fundo de pratos pequenos. Coloque uma ostra empanada em cada prato. Sobre as ostras, disponha o sagu marinado. Finalize com as ovas de salmão e a ciboulette picada.

sábado, 18 de julho de 2009

Bottarga



É tempo de bottarga! Conhecida como o "caviar brasileiro" essa iguaria tem sido tema de matérias frequentes nas mais variadas publicações de culinária e por isso despertou minha curiosidade. Pesquisando na internet cheguei até a Bottarga Lefkas (www.bottargaclub.com), maior produtor do país, localizada em Santa Catarina e comandada por Christian Katopodis, por sinal muito gentil e "boa prosa", como dizemos nós mineiros. A bottarga é a ova de tainha preservada inteira num processo artesanal de limpeza, salga, desidratação, secagem, modelagem, banho em cera de abelha e embalagem a vácuo. Segundo Christian, de família grega, a bottarga remonta à antiguidade. Conta a história que foram os fenícios, no início do século IX a.C, que difundiram o consumo de ovas desidratadas enquanto dominavam o Mar Mediterrâneo e parte da Ásia. Na Grécia a bottarga é consumida com pão integral aquecido, já os italianos preferem consumi-la em fatias finas, com azeite e pedaços de limão. Na França, recebe o nome de poutargue e vai bem com torradas. Os russos também não dispensam a iguaria servida com pão e salada. Adquiri o kit degustação da Lefkas  - site acima - e na "Cozinha de Casa" comecei a "quebrar a cabeça" para honrar tal preciosidade. Já na primeira prova percebi a intensidade do sabor, da textura, da "presença de mar"! Imediatamente me veio a idéia de acrescentá-la a algum fruto do mar. Meio caminho andado, falo do Armazém do Mar (www.armazemdomarbh.com.br) onde consegui vieiras frescas, com coral, sensacionais! Como as vieiras me remeteram ao mestre Alex Atala, resolvi fazer um "mexidão" com três grandes chefs do nosso país - considerando aí que Tsuyoshi Murakami e Claude Troigros são brasileiros! Vamos ao prato: vieiras grelhadas, temperadas com flor de sal e pimenta do reino, espaguete de legumes (inspiração do espaguete de pupunha de Alex Atala), que fiz com abobrinha, cenoura e nabo (inspirado na receita de Murakami - lâminas de bottarga com fatias de nabo e shitimi) cortadas na mandolina e salteadas no azeite, cebola e shoyu. Quanto ao Claude Troigros caiu muito bem sua receita de maionese de wasabi (maionese caseira e pasta de wasabi). Enfim, ficou muito bom e a nota da Patrícia - juri técnico - foi 10, embora a apresentação do prato, a meu ver, tenha ficado meio sambadinha. 

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Tambaqui com Risoto de Trufas e Espuma de Baroa

Primeiro Prato

Vou postar este prato para inaugurar o blog, primeiro porquê já tinha comido "costela" de tambaqui por duas vezes e queria muito fazer um peixe de água doce...principalmente este que gostei muito e depois porquê também estreei o sifão que ganhei da Patrícia, minha mulher. Com ele fiz esta espuma de baroa ou mandioquinha. Complementei com um risoto na manteiga de trufas negras. Acho que a combinação ficou boa!

Entrada

Já estava pensando neste espaço desde quando comecei a tirar fotos dos pratos que faço, em casa e de forma amadora. Sou um apaixonado por culinária embora nunca tenha feito nenhum curso - mais por acomodação que qualquer outra coisa. Mas tenho lido muito a respeito do tema, pesquisado na internet, assistido vídeos, enfim, qualquer coisa sobre o assunto me interessa muito e cozinhar vem se tornando minha principal diversão. Gostaria muito que este blog realmente fosse uma extensão da cozinha de casa e que aqui eu possa compartilhar dicas, receitas e quaisquer outras informações sobre esta fascinante arte de transformar alimento em prazer.